1# SEES 29.1.14

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  A REPBLICA DA PERIFERIA
     1#3 ENTREVISTA  MANOEL CARLOS  NOVELA  O PO DE CADA DIA
     1#4 LYA LUFT  A VIOLNCIA NO  UMA FANTASIA
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA

1#1 VEJA.COM
O PET DO SCULO XXI
O gato convive com o homem h 10.000 anos. Foi considerado animal sagrado no Egito antigo e encarnao do diabo na Idade Mdia. Neste sculo, deve assumir o posto de bicho de estimao mais numeroso do mundo. "Ele  mais bem ajustado  vida moderna do que o co. Pode passear, ficar longos perodos sozinho e no precisa de muito espao", diz o bilogo John Bradshaw, pesquisador da Universidade de Bristol e autor do livro Cat Sense, recm-lanado nos Estados Unidos. Em entrevista a VEJA.com, Bradshaw conta a histria da relao milenar entre homens e gatos e explica comportas dos felinos como miar, ronronar, esfregar-se nas pernas do dono e trazer animais mortos para casa.

A VITRIA DO VILO
Ele roubou, traiu e quase matou, alm de ter blasfemado com tiradas como: "Devo ter feito pole dance na santa cruz para merecer isso". O conjunto da obra fez com que Flix, personagem de Mateus Solano em Amor  Vida, cativasse o pblico e entrasse no rol dos grandes viles da TV.  a vitria dos malvados, a exemplo do que se viu em sries como Breaking Bad e Bates Motel e tambm nas releituras cinematogrficas de contos de fadas a partir da tica dos antagonistas.

A CONTABILIDADE DA ESPLANADA
Quando concluir sua reforma ministerial, nas prximas semanas, a presidente Dilma Rousseff ultrapassar a marca de setenta ministros nomeados. Em trs anos de governo, alguns subordinados ascenderam politicamente, outros foram nulidades e uns tantos saram pela porta dos fundos, envolvidos em denncias de corrupo - foi o caso de Antonio Palocci, o primeiro homem forte da gesto Dilma. O balano est em reportagem de VEJA.com.

MENOS IMPOSTO
O aumento do IOF nas compras com carto de dbito no exterior pegou os turistas brasileiros de surpresa. Para evitarem a taxao, eles podem optar pelos cartes-presente das bandeiras Visa, Mastercard ou American Express nos Estados Unidos, o principal destino dos brasileiros no exterior. Esses cartes so carregados com dlares e funcionam como os tradicionais: so aceitos em todo o pas e liberados mediante apresentao de senha. O site de VEJA simulou os gastos com um carto carregado com 1000 dlares: a economia  de 5%, valor suficiente para com ingresso para um jogo de basquete da NBA.


1#2 CARTA AO LEITOR  A REPBLICA DA PERIFERIA
     Esta edio de VEJA traz uma reportagem de fundo sobre um Brasil que costuma ser lembrado apenas pelos problemas que cria, os "rolezinhos" nos shopping centers, ou nos quais muitos de seus habitantes vivem imersos, chacinas, enchentes e endemias. Os reprteres da revista foram ver de perto como vivem atualmente os brasileiros que moram na periferia das metrpoles. A ltima grande investida jornalstica de VEJA na periferia foi feita em janeiro de 2001. Naquele comeo de sculo, a revista mostrou uma realidade de desesperana, misria, crime e crescimento desordenado de quase 30% ao ano, taxa seis vezes maior do que a do Brasil de renda e qualidade de vida mais altas. Sob a chamada "O cerco da periferia", a capa da revista de 2001 trazia a imagem de um centro urbano ensolarado e colorido sendo oprimido pelo abrao sufocante de uma massa disforme de casebres cinza. Desde ento, as coisas mudaram para melhor. 
     Treze anos depois, os reprteres encontraram planetas perifricos ainda com problemas graves, claro, mas bem mais arejados, confiantes em si mesmos e orgulhosos de sua cultura original, cientes de seu poder de consumo coletivo e do cacife eleitoral decisivo que possuem. A transformao positiva se deu pela confluncia de uma srie de fatores. Primeiro veio o aumento do poder de compra trazido pela estabilizao da moeda, seguido da maior  oferta de crdito. Coroando tudo isso, todos se beneficiaram da competitividade acelerada entre as empresas de tecnologia  aquela formidvel corrida que torna os aparelhos digitais cada vez mais poderosos com aumento mnimo de preo e permite a oferta de planos bem mais acessveis de celulares e modems de acesso  internet sem fio. A sensvel, ainda que desigual, melhora na segurana e o avano, mesmo que modesto, na qualidade da educao completam o processo transformador. 
     A pedido de VEJA, o Instituto Data Popular, especializado em pesquisas nas classes mdia e baixa, isolou dados e estatsticas das classes C, D e E. Para efeito de clareza, montou o que seria um pas formado pela populao da periferia das grandes cidades brasileiras. Se existisse, de fato, essa Repblica Federativa da Periferia do Brasil teria 155 milhes de habitantes. Seu poder de compra a colocaria no G20 do consumo mundial, ocupando a 16 posio no ranking de pases que mais gastam com produtos e servios em geral. Como mercado consumidor, portanto, as periferias brasileiras tm mais poder de compra do que a Sua, a Holanda ou a Turquia. Tomado como um todo, o Brasil ocupa a stima posio no ranking mundial de consumo. Para montar esse pas imaginrio, o Data Popular usou dados reais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) e do Banco Mundial. A reportagem especial de VEJA abre as fronteiras desse fascinante pas, to prximo e ao mesmo tempo to distante de tantos brasileiros. 


1#3 ENTREVISTA  MANOEL CARLOS  NOVELA  O PO DE CADA DIA
O autor da prxima atrao das 9 da Rede Globo nega a inteno de se aposentar  e conta que o mergulho no trabalho tem sido sua forma de atenuar a dor da perda de um filho.
MARCELO MARTHE

Manoel Carlos no  s o decano dos noveleiros da Globo. A trajetria do autor de 80 anos  que voltar ao ar no dia 3, na prxima trama das 9, Em Famlia  confunde-se com a histria da televiso, do teleteatro ao vivo aos musicais dos anos 60. Mas foi com as novelas da Globo que Maneco  tambm colunista de VEJA RIO  alcanou a consagrao. Com um registro realista e uma acurada crnica dos costumes cariocas, sucessos como Mulheres Apaixonadas, de 2003, lhe valeram o epteto de "Tchekov das novelas". Entrevistado em um escritrio da Globo no Leblon, Manoel Carlos falou de TV, do Brasil, de velhice  e de como escrever uma novela atenua a dor causada pela morte do mais velho de seus cinco filhos. 

Em Famlia ser seu passaporte rumo  aposentadoria? 
De jeito nenhum. O que desejo  me dedicar a obras mais curtas aps a novela. Alm de mim, alis, vrios autores j pleitearam reduzir a durao das novelas das 9. Escrever 180 captulos  exaustivo. Infelizmente, no podemos intervir nas estratgias da Globo. Minha idade pede que eu trabalhe num ritmo mais ameno, mas no vou me aposentar. A despeito do que o destino me reserve, tenho contrato at 2017. E gosto do que fao. Se estou relativamente inteiro aos 80 anos,  porque no parei de trabalhar desde os 14. 

Nem a perda de seu filho mais velho, em 2012, afetou a vontade de trabalhar? 
Ao contrrio. Tem sido muito duro lidar com a perda de meu filho, mas minha reao de defesa  um desejo intenso de mergulhar no trabalho. Algumas pessoas podem pensar que estou sendo forado a fazer essa novela. No. Depois da morte do Maneco, meu filho mais velho, fui chamado pelo Manoel Martins (diretor de entretenimento da Globo). Ele disse que eu poderia fazer o que quisesse: trabalhar, viajar ou ficar em casa sem fazer nada. Respondi que queria fazer uma novela o mais rpido possvel. S um trabalho to pesado ser capaz de afastar um pouco meus pensamentos dessa perda. Eu busco preencher meus dias e minhas noites. Voc no procura trabalho se tem problemas?  uma terapia. Mas, a qualquer momento, eu posso abrir mo. Fao a novela sob esta condio: se no aguentar, passo a bola para meus colaboradores. 

O fato de ter sido o segundo filho que o senhor perdeu tornou as coisas mais difceis? 
Foram situaes diferentes. A morte do Ricardo, o primeiro filho que perdi, foi uma infelicidade para a qual eu pude me preparar, pois ele contraiu o vrus HIV nos anos 80, quando s havia um remdio para a aids, o AZT. Se fosse hoje, com os novos coquetis de drogas, ele estaria vivo. Mas se tratava, enfim, de uma tragdia anunciada. Agora, no. A morte de meu filho Maneco num ataque fulminante do corao foi algo absolutamente imprevisto. Foi como se eu abrisse a porta do quintal e, do nada, visse um disco voador aterrissado ali. No era possvel estar acontecendo. Da perda desse filho, no me recuperei at hoje. O que poderia ser mais grave? A terceira guerra mundial no seria nada perto do que estou vivendo.  quando a morte dos pais, irmos e amigos fica muito menor. Junto com ele, metade de mim foi arrancada. 

O senhor vai tocar nesse assunto na novela? 
Em princpio, no. Hoje, afinal, talvez nem tenha condies de fazer isso. Mas novela  uma obra aberta. Posso mudar de ideia. E a perda ser um tema presente: a morte do pai ter grande repercusso na vida do protagonista. Mas no pretendo exagerar na dose. Em novelas, a morte no  um tema fcil de abordar. s vezes, as pessoas reclamam de estar vendo algo muito triste. Outras vezes, dizem que a histria  fantasiosa por no mostrar a morte de ningum. O autor nunca sabe que reao despertar no pblico. 

Suas novelas costumam tratar das questes da velhice. A chegada aos 80 anos mudou sua viso sobre o tema? 
Os amigos brincam que eu defendo os velhos em causa prpria. Mas o que me levou a fazer uma campanha em Mulheres Apaixonadas, que acabou inspirando at a criao do Estatuto do Idoso, foi conhecer a realidade da velhice nos Estados Unidos. Quando morei em Nova York, fiquei admirado de ver como os idosos so respeitados. Ao atravessar a rua ou entrar num restaurante, o tratamento  de uma civilidade fantstica. Eu comentava com minha mulher: "Imagina se fosse no Brasil". Aqui, ningum liga: voc vai ao banco e flagra um office-boy de 16 anos na fila dos idosos. Nos Estados Unidos, o sujeito que faz isso  preso, p. A nossa tolerncia com as pequenas contravenes deixa os americanos abismados. E  mesmo inaceitvel. 

O senhor  notrio petos atrasos na entrega dos roteiros. Essa fama o incomoda? 
Vejo com naturalidade, pois sempre fui assim. Sou do tempo em que se fazia teledramaturgia ao vivo, e nunca gostei dos grandes prazos para escrever. At me coloquei  disposio para no fazer novelas, se a Globo no aceitasse meu jeito. Na verdade, a maior razo para o barulho  que tenho a mania de fazer muitos adendos ao roteiro. Como em tudo na vida, os atores que mais reclamam so os que tm os piores papis. Quem tem um bom personagem no reclama. Mas isso no me desculpa. Toda vez que comeo uma novela, digo que vou mudar. S no prometo milagres. 

Viver a Vida, sua ltima novela, no foi bem de audincia. Como  lidar com o fracasso? 
Embora seja desagradvel, no adianta chorar: voc tem de fazer o possvel para consertar o estrago. Mas a gente nem precisa sentir a presso do pblico ou da emissora: quem mais sofre quando a coisa desanda  o prprio autor. Nenhum autor quer ter o trabalho filho da me de escrever uma novela para ningum gostar. 

O gosto do pblico mudou? 
J me falaram isso, mas no sei se  verdade. No momento, todo mundo quer aquele ritmo instantneo de Avenida Brasil. Mas quem fez aquilo foi o Joo Emanuel Carneiro, um autor jovem que buscava seu jeito de fazer novela. Isso no quer dizer que eu, aos 80 anos, deva sair por a imitando um garoto. No vou pagar o mico de macaque-lo. Vou fazer do jeito que sei.  no que acredito. 

Por que o senhor gosta tanto de longas cenas durante o caf da manh? 
Porque minhas novelas so sobre a famlia. Se h algo que marcou minha vida foram as refeies com todos os parentes reunidos.  quando afloram os problemas e as felicidades, as desavenas entre marido e mulher, as rusgas entre irmos.  tambm o lugar da casa em que o chefe de famlia caa morto. Antigamente, o sujeito queria morrer em casa e ser velado na mesa onde a famlia se reunia. Hoje, j no se morre assim, morre-se no hospital. Antes que todo mundo saiba, j cremaram o cara. Mas me lembro bem dos velrios familiares, nos quais se serviam caf e bolos. 

At que ponto as pesquisas com donas de casa so teis para avaliar as novelas? 
Eu nunca dei importncia a isso. A prtica de reunir algumas mulheres para opinar sobre a novela alheia acaba dando importncia excessiva  opinio delas. Eu, como autor, sei se minha novela vai indo bem ou mal. Sinto isso falando com as pessoas nas ruas de meu bairro, o Leblon. J fiz mudanas nas tramas com base no que ouo da empregada, de taxistas e garons. Mas talvez alguns autores encastelados tenham dificuldade em captar a voz das ruas e precisem das pesquisas. 

Encastelar-se  um erro? 
Como fazer novela  massacrante, algumas pessoas precisam se isolar para escrever. Eu no tenho essa dificuldade. Escrevo em meio a qualquer barulho, desde os 19 anos, enquanto meus filhos faziam baguna. Mas h colegas que precisam se isolar. Eu os compreendo. 

No seu Leblon ficcional, caberiam os manifestantes que tomaram o bairro real no ano passado? 
 evidente que sim. Fiquei orgulhoso de os jovens escolherem o Leblon como palco de seus protestos. Eu sou vizinho do governador (Srgio Cabral do Rio de Janeiro). Aquele vandalismo, claro que no aprovo. Mas  timo ver manifestaes pacficas contra aumento de preos e as bandalheiras polticas. 

O tema ser retratado na nova novela? 
 pena, mas no posso tocar nisso em ano de eleio. Sabe como eu ia comear a histria? Quando se dava o salto entre a primeira e a segunda fase da novela, as manifestaes de junho passado no Leblon marcariam a passagem do tempo. Mas a a Globo me pediu para mudar. Eles no deixam, e ponto. E por uma razo defensvel: ao falar de poltica numa novela, voc cria reas de atrito que afetam o andamento da histria. Fica uma coisa chocha, pois o autor no tem liberdade de dizer o que pensa de verdade dos polticos. 

Como observador da sociedade, qual sua impresso sobre o Brasil governado pelo PT? 
Quando o Lula foi eleito pela primeira vez, eu disse que estava feliz de ver um ex-operrio chegar  Presidncia. Inclusive votei nele. Mas no fiquei feliz, sinceramente, com a chegada do PT ao poder. No gosto de ver aquela turma que lembra um bando religioso no entorno do governo. No acho aquelas pessoas confiveis. 

A patrulha politicamente correta  uma ameaa? 
No vejo um puritanismo to forte como alguns colegas denunciam. Mas h certas noes que so um atraso. Como colocar um personagem dizendo que contratou um empregado afrodescendente? Contratou um negro, p. Os negros inteligentes que conheo jamais concordariam com uma hipocrisia dessas. Numa novela minha, uma personagem jogava um cigarro pela janela do carro durante uma briga. No outro dia, estava em todo lugar: mas que exemplo, hein? Nessa toada, logo no poderemos mostrar ningum bebendo ou fumando. Algum cr que isso far o vcio diminuir? 

Amor  Vida tem um gay querido do pblico e Em Famlia ter duas lsbicas. A homossexualidade no  mais tabu? 
O espectador j no se escandaliza com o casamento ou com a adoo de crianas pelos gays. Lgico que algum preconceito sempre haver, j que a unanimidade nesse tema  impossvel. Mas estamos numa democracia, cada um pensa o que quiser. 

E a cobrana por um beijo gay em Amora Vida?
 engraado: no vejo importncia nisso. Nada contra o beijo pblico entre gays. Mas talvez esperem um beijo muito sexualizado no horrio nobre. No sei se  preciso. Para dizer a verdade, no sou nem a favor de exageros do beijo pblico entre homem e mulher. No  bom ver um casal aos amassos no restaurante.  exibicionismo. J me perguntaram se haver beijo entre as lsbicas da minha novela. Estou escrevendo uma histria de muito amor para elas. Se achar que a coisa pede, talvez faa uma cena de beijo. Se a Globo deixar ir ao ar, eu no sei. 

Por que os viles so mais populares que as mocinhas? 
Hoje os viles esto na moda. Tanto que o negcio perdeu a seriedade: eles viraram os queridinhos da audincia. Mas a impresso que eu tenho, ao ver as novelas dos meus colegas,  que a acentuada fora que os viles passaram a ter enfraqueceu demais o lado bom da novela. O heri  um banana e a mocinha  uma tonta. D para entender por que os autores do tanta fora aos viles: eles se sentem livres para botar o que quiserem na boca deles.  claro que a onipresena dos viles reflete o estado moral da sociedade. Mas as coisas se sucedem por ciclos. Daqui a pouco, as pessoas vo se cansar dos viles. O efeito disso ser fazer ressuscitar as mocinhas. 

As novelas tm futuro? 
Tm um belo passado, presente e futuro. J se decretou que o cinema e os romances gua com acar desapareceriam, mas eles esto a. Nos anos 60, tambm ouvi que a novela ia acabar. Mas sempre haver lugar para o melodrama. Veja o sucesso da srie inglesa Downton Abbey. Adoraria ter escrito aquilo. A novela nunca vai morrer. No Brasil, ento, ela  o po nosso de cada dia. 


1#4 LYA LUFT  A VIOLNCIA NO  UMA FANTASIA
     A violncia nasce conosco. Faz parte da nossa bagagem psquica, do nosso DNA, assim como a capacidade de cuidar, de ser solidrio e pacfico. Somos esse novelo de dons. O equilbrio ou desequilbrio depende do ambiente familiar, educao, exemplos, tendncia pessoal, circunstncias concretas, algumas escolhas individuais. Vivemos numa poca violenta. Temos medo de sair s ruas, temos medo de sair  noite, temos medo de ficar em casa sem grades, alarmes e cmeras, ou bons e treinados porteiros. As notcias da imprensa nos do medo em geral. No so medos fantasiosos: so reais. E, se no tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurana, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituies e autoridades. 
     Nestes dias comeamos a ter medo tambm dentro dos shoppings, onde, alis, h mais tempo aqui e ali vm ocorrendo furtos, s vezes assaltos, raramente noticiados. O que preocupa so movimentos adolescentes que reivindicam acesso aos shoppings para seus grupos em geral organizados na internet. 
 natural e bom que grupos de jovens queiram se distrair: passear pelos corredores, alegres e divertidos, ir ao cinema, tomar um lanche, fazer compras. Porm correr, saltar pelas escadas rolantes, eventualmente assumir posturas agressivas ou provocadoras e bradar palavras de ordem no  engraado. Derrubar crianas ou outros jovens, empurrar velhos e grvidas, no medindo consequncia de suas atitudes, no  brincadeira. Shoppings so lugares fechados, com grande nmero de pessoas, e portanto podem facilmente virar perigosos tneis de pnico. 
     Juventude no  sinnimo de grossura e violncia (nem de inocncia e ingenuidade). Neste caso, os que perturbam so jovens mal-educados (a meninada endinheirada tambm no  sempre refinada...) ou revoltados. Culpa deles? Possivelmente da sociedade, que por um lado lhes aponta algumas vantagens materiais, por outro no lhes oferece boas escolas, com muito esporte tambm em fins de semana, nem locais pblicos de prtica esportiva com qualidade (esportistas famosas como as tenistas irms Williams, meninas pobres, comearam em quadras pblicas americanas). 
     Parece que ainda no se sabe como agir: alguns jornalistas ou psiclogos e antroplogos de planto, e gente de direitos humanos s vezes to teis, acham interessante e natural o novo fenmeno, recorrendo ao jargo to gasto de que "as elites" se assustam por nada, ou "as elites no querem que os pobres se divirtam'', e "os adultos no entendem a juventude". Pior: falam em preconceito racial ou social, palavrrio vazio e inadequado, que instiga rancores. As elites, meus caros, no esto nos nossos shoppings; esto em seus iates e avies pelo mundo. 
     No momento em que as manifestaes violentas de junho esto aparentemente calmas (pois queimam-se nibus e crianas, h permanentes protestos menores pelo Brasil), achar irrestritamente bonito ou engraado um movimento juvenil  irresponsabilidade. E  bom lembrar que, com shoppings fechando ainda que por algumas horas, os empregados perdem bonificaes, talvez o emprego. 
     As autoridades (afinal, quem so os responsveis?) s vezes parecem recear uma postura mais firme e o exerccio de autoridade: como pode ocorrer na famlia e na escola, onde reinam confuso e liberalismo negativo, queremos ser bonzinhos, para desamparo dessa meninada. 
     Todos devem poder se divertir, conviver. Mas cuidado: exatamente por serem jovens, os jovens podem virar massa de manobra. Os aproveitadores de variadas ideologias, ou simplesmente os anarquistas, os violentos, esto sempre  espreita: j comeam a se insinuar entre esses adolescentes, ou a organizar grupos de apoio a eles  certamente sem serem por eles convidados. 
     Bandeiras, faixas, punhos erguidos e cerrados e palavras de ordem no so divertimento, e nada tm a ver com juventude. No precisamos de mais violncia por aqui.  bom abrir os olhos e descobrir o que fazer enquanto  tempo. 


1#5 LEITOR
SUCO VERDE
Muito interessante a abordagem de VEJA a respeito do suco verde e da promessa de emagrecimento que essa bebida apresenta ("Um brinde ao verde e  verdade", 22 de janeiro). Como nutricionista, observo que  difcil obter do paciente uma adeso a qualquer tipo de tratamento de reeducao alimentar sem sugerir recursos como estes: sucos milagrosos, shakes, chs, sementes etc. Acho que emocionalmente esses recursos podem ser vlidos, mas de forma alguma  possvel vincular o consumo desses alimentos ao sucesso permanente. Hoje  moda excluir glten e lactose sem nenhum tipo de investigao mais aprofundada, substituir grupos fundamentais da pirmide alimentar por modismos sem comprovao cientfica alguma. A reportagem de VEJA refora a necessidade de cautela, especialmente por parte dos profissionais, apesar da tentao de sugerir recursos com apelo comercial em contraposio ao caminho das pedras da mudana comportamental como um todo. 
RENATA GIUDICE DE OLIVEIRA LEWIS 
So Paulo, SP 

O homem pode burlar muitas coisas, mas quanto ao seu corpo e ao seu funcionamento  quase impossvel. O que se  pode fazer  entend-lo, o que j foi iniciado com a reportagem de VEJA. Agora, o que falta na busca de hbitos saudveis e do almejado emagrecimento  dedicao e muita fora de vontade para conseguir alcanar os objetivos desejados. 
RODOLFO RODRIGO M. MARTINS VIANA 
Foz do Iguau, PR  

As propriedades do suco verde s fazem bem. As novas receitas e sugestes apresentadas por VEJA incrementaram o meu cardpio. 
RUVIN BER JOS SINGAL 
So Paulo, SP  

ROLEZINHO 
A reportagem "'Eu no quero ir no seu shopping'" (22 de janeiro) me chamou ateno por revelar detalhes que vo alm do preconceito ou da desigualdade social, como pregam os simpatizantes de causas sociais. Por trs de cada rolezinho esto pais sem autoridade, que abrem mo de seus pequenos salrios, conquistados com trabalho rduo e dignidade, para alimentar os desejos consumistas de seus filhos, jovens que creem cegamente que roupas e acessrios absurdamente caros ditam o carter e os valores de um indivduo. So pais que no sabem dizer no e que, por inmeros motivos, no conseguiram ensinar valores como respeito e dignidade a seus filhos. Os rolezinhos servem para esfregar na cara da sociedade que a defasagem da educao no Brasil no somente  um mal que acomete as escolas como denuncia que elas devem ser repensadas desde o nascimento pelos pais. Infelizmente a sociedade e o governo populista que s quer angariar votos enxergam no fenmeno somente o preconceito e a desigualdade social, fazendo a maioria pensar que a culpa de os rolezinhos existirem  da suposta classe mdia consumista e ostentadora que trabalha para sustentar os governantes e seus projetos pseudossociais. 
STEFANIE VERAS DE OLIVEIRA 
So Paulo, SP 

Senhores governantes, no so as vestimentas nem a cor da pele que geram o preconceito contra os rolezinhos, e sim a baderna e o medo provocados. 
RENATA BORGES ANTONIAZZI 
Tup, SP 

O direito de ir e vir  sagrado, seja para pobre, seja para rico, inclusive nos shoppings. Mas precisa ir em bandos de 500, 1000, 2000? 
DAURO CARVALHO 
Belo Horizonte, MG 

VEJA revela um dado muito curioso que merece ateno: os "trendmakers" citados na reportagem nem sequer terminaram a escola. Isso mostra a desvalorizao do conhecimento e a utopia do imediatismo. Usar roupas de marcas caras no vai dar a eles o status que pensam adquirir. Ao contrrio, apenas sero envolvidos na alienao do consumo. No h ostentao quando no se tem o que ostentar! Por outro lado, a educao, que realmente poderia proporcionar uma condio sustentvel no padro de vida e consequentemente uma vida social melhor, fica jogada ao vento. 
MRCIO PAULA MORAES 
So Bernardo do Campo, SP 

CARTA AO LEITOR 
Parabenizo o autor da Carta ao Leitor "A vida como ela " (22 de janeiro) pela brilhante pea produzida em to pouco espao. Suas consideraes sobre os rolezinhos so agudas, esclarecedoras e determinantes para acabar com as teorias pseudossociais que ao longo da semana os idelogos de planto se apressaram em explicar. VEJA mais uma vez arrebentou! 
JOO MAURCIO SCARPELLINI CAMPOS 
Rio de Janeiro, RJ 

MALSON DA NBREGA 
Sem dvida, a educao  a base concreta para o desenvolvimento de um pas ("Uma nova ideia para desenvolver o Nordeste", 22 de janeiro). Infelizmente, as regies Nordeste, Norte e Centro-Oeste receberam ao longo dos anos baixssimos investimentos em saneamento bsico, infraestrutura, educao, sade, segurana, para citar as reas mais importantes. Diversos estudos realizados recentemente demonstram que, nos ltimos dez anos, as regies citadas geraram empregos e taxas de crescimento superiores aos das regies Sul e Sudeste em razo da poltica de incentivos fiscais de ICMS adotada pelos governadores. Muitas indstrias continuam buscando os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste para a expanso de suas atividades por causa do aumento da renda da populao. Para que esse "ciclo virtuoso" prospere ainda mais, faz-se necessria a aprovao urgente de projeto de lei complementar (PLC) que regulamente a Poltica Nacional de Incentivos Fiscais de ICMS, com regras claras e limites estipulados, pondo fim  chamada guerra fiscal. 
ANTONIO CARLOS MORO 
So Paulo, SP 

 claro que nossas desigualdades so provenientes de desvios de verbas para as obras e para a educao. Quanto mais ignorante o povo, mais fcil tang-lo. 
ANTNIO CARVALHO 
Cuiab, MT 

CRIMES ELEITORAIS 
A reportagem "Aloprados em festa" (22 de janeiro) nos d esperana de eleies limpas, ao revelar como pode ser danosa a proibio, pelo Tribunal Superior Eleitoral, de o Ministrio Pblico e a polcia abrirem investigaes sobre crimes eleitorais  to corriqueiros ultimamente. Para isso, como mostrado na matria, poderemos contar com o discernimento, o bom-senso e a responsabilidade de dois dos mais notveis defensores da legalidade no Brasil: o ministro Marco Aurlio Mello e o procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, que tudo faro para derrubar essa deciso to retrgrada para um pas que tenta caminhar para uma democracia verdadeira. 
JOS ARABUTAN DE SOUSA OLIVEIRA 
Belm, PA 

Quando os poderes so corrompidos com tamanha frequncia, resta muito pouco a fazer seno investigaes e denncias por parte da ltima linha de defesa dos cidados: a imprensa livre. Ainda temos esperana na alternncia de poder no Brasil, sem que seja criado um entorno viciado e corrupto. 
CELSO SILINGARDI 
Andradina, SP 

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO 
Brilhante o artigo "Por uns pelos a mais" (22 de janeiro), de Roberto Pompeu de Toledo. Tenho certeza de que, em razo desse escabroso e cabeludo escndalo relatado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, vai renunciar aos cargos de presidente e tambm de senador. Esse duplo ato nos daria uma esperana de retomada de vergonha por parte dos polticos que ainda no sabem distinguir at onde vai o direito deles. 
CELSO JAMIL MARUR 
Londrina, PR 

Se, em vez de 10.118 fios de cabelo implantados na cabea do senador Renan Calheiros, fosse implantado pelo menos um fio de tica e respeito ao povo brasileiro, talvez o gasto com o avio da FAB tivesse valido a pena. 
LUIZ MARTINS DE SOUZA 
Limeira, SP 

CAIXA ECONMICA FEDERAL 
Como poupadora e correntista da Caixa Econmica Federal, deixo registrada aqui minha indignao pela forma com que este "desgoverno" est administrando nosso suado dinheiro ("A caixa-preta da Caixa", 22 de janeiro). Cada vez mais eu me sinto enojada de tudo o que vem acontecendo neste pas e me pergunto: quando ser que vamos despertar desse pesadelo? 
REGINA MARIA ALVES 
Ub, MG 

A bolha de crdito da Caixa Econmica Federal ajudou a inflar a bolha imobiliria no Brasil. Qual delas vai estourar primeiro? 
LEANDRO GRANEMANN GAUDNCIO
Lages, SC

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP; Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM 
F DE DELBIO 
Um cidado apresentou recurso no STJ pedindo um habeas corpus para Delbio Soares. O "defensor" nem  advogado do mensaleiro. Mais: na petio, o f de Delbio tenta desconstruir a tese de formao de quadrilha, afirmando que polticos de diferentes localidades do pas no seriam capazes de se organizar em quadrilha. www.veja.com/radar 

COLUNA 
REINALDO AZEVEDO 
DIREITO A REAO 
Uma entidade catlica recorreu ao Ministrio Pblico contra vdeos do grupo humorstico Porta dos Fundos. O deputado Marco Feliciano, com faro para a polmica, decidiu tambm recorrer ao MP. No h nada de errado, de antidemocrtico ou de autoritrio na deciso dos catlicos ou de Feliciano. www.veja.com/reinaldo 

COLUNA 
RODRIGO CONSTANTINO 
MENOS, LUIZA 
A empresria Luiza Trajano virou garota-propaganda do governo aps entrevista ao programa Manhattan Connection em que esbanjou otimismo e "vendeu" o suposto sucesso da economia brasileira. Os scios minoritrios do Magazine Luiza, comandado por ela, porm, no compartilham essa viso. As aes da rede de varejo na bolsa de valores patinam. 
www.veja.com/rodrigoconstantino 

QUANTO DRAMA
 ESPERA DE UM BEIJO
Enquanto o pblico aguarda o desfecho da relao de Niko (Thiago Fragoso) com Flix (Mateus Solano) em Amor  Vida, j comea o burburinho sobre o casal gay Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tain Mller), de Em Famlia, a prxima novela das 9 da Rede Globo. Na coletiva de imprensa que apresentou o folhetim de Manoel Carlos, as atrizes e o autor foram diversas vezes indagados sobre uma questo: vai ou no ter beijo? "Os beijos esto incorporados no amor. Se couberem na histria, escreverei e o Jayme (Monjardim, diretor) gravar. Agora, se vai ao ar, no sei... no  comigo", disse Maneco. 
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SOBRE PALAVRAS
A SABORIZAO DO CAF
Saborizar. A palavra apareceu no jornal e certamente no desceu bem para quem tomava o caf da manh. Uma investigao revelou que muitos atribuem sua criao  apresentadora de TV Ana Maria Braga.  difcil comprovar a veracidade da informao. De uma forma ou de outra, a palavra parece "existir" acima de qualquer dvida, ainda que no nos dicionrios. Resta decifrar o incmodo. A tendncia contempornea de tascar um "ar" em substantivos a mos-cheias, para transform-los em verbos, sempre soa a desmazelo, desapreo pela lngua. Claro que o idioma  e deve ser malevel, e que os falantes se apropriam dele. Mas no vamos esquecer outros valores fundamentais como sonoridade e senso de ridculo, seno ningum aguenta. 
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NOVA TEMPORADA
JACK BAUER EST DE VOLTA
Comearam na semana passada, em Londres, as filmagens da nona temporada de 24 Horas, que recebeu o ttulo de 24: Live Another Day. Ser uma minissrie. Com doze episdios encomendados, a trama apresentar mais um dia da vida do agente da unidade de preveno a ataques terroristas Jack Bauer, pulando algumas horas. A estreia nos Estados Unidos ser em 5 de maio. Confira fotos do protagonista Kiefer Sutherland durante as filmagens.
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